G E N E R O S I D A D E
Quem passa pela avenida Sumaré, uma movimentada via
da zona oeste de São Paulo, já deve ter notado os laços coloridos e
as gaivotas de papel que enfeitam o canteiro central e as árvores e
os arbustos da Praça Caetano Fraccaroli. Eles são pacientemente
colocados lá pelo imigrante japonês e ex-fl oricultor Paulo Katsuo
Abe, de 66 anos, conhecido simplesmente por Seu Paulo. “Faço isso
porque amo o Brasil. É um jeito de embelezar a cidade e de agradecer
o acolhimento que recebi”, ele diz, com seu olhar bondoso, cabeleira
aprumada e português claudicante.
A idéia de decorar as ruas paulistanas surgiu após um acidente
de carro, em 1993. “Perdi o controle da direção, bati numa árvore e
quase morri”, recorda-se. Na mesma época, ele foi obrigado a fechar
sua fl oricultura, pois a locadora pedira o imóvel de volta”. Com o
negócio encerrado, Seu Paulo viu-se às voltas com centenas de rolos
de fi tas, que usava para adornar as fl ores que vendia. “Como poderia
retribuir aos médicos que me salvaram?”, lembra. Resposta: “Vou
embelezar o meu bairro.”
Seu Paulo passou, então, a cuidar das praças e plantar árvores.
“Como não tenho filhos, elas serão meus descendentes. E
darão sombra aos brasileiros”, diz ele, que mora no país desde os
13 anos e todos os dias, ao sair de casa, leva folhas de papel com
a inscrição “Deus te ama”. Com elas, faz origamis de gaivota (ave
que simboliza o respeito, na tradição japonesa), que distribui às
pessoas que encontra na rua.
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