Deusas de domingo
Revista Fantástico - número 3

Lya Carla

Quando foi apresentada ao Brasil numa noite de domingo, Lya Carla apareceu onde tinha de aparecer: no mar. Ou melhor, na praia. E, melhor ainda, de biquíni. A modelo de marca de maiô estava em seu elemento natural, já que morava em Porto Seguro. Mais precisamente, na Barra do Rio Cahy, o lugar onde marujos de Pedro Álvares Cabral pisaram, pela primeira vez, o chão de Pindorama.

Descoberta aos 20 anos, a morena criada no Leblon virou celebridade graças ao Fantástico. Em 1985, um ano depois de aparecer no programa, era convidada a participar de um concurso de beleza da Feira Internacional de Cacau, em Ilhéus. Veio um período de muito trabalho – capas de revista, ensaio para revistas masculinas, campanhas publicitárias –, até que Lya Carla decidiu correr o mundo. “Não sei ficar parada; se paro, me deprimo”, diz, animada.

Fez fotos em Fernando de Noronha como modelo submarino para a National Geographic. Trabalhou no Caribe, Estados Unidos, Europa, Ásia. “Sou completamente pirata e cigana”, diz. Em 1986, cruzou o Pacífico como tripulante de um veleiro. Curtiu muito. Mas, se ficou mareada, nem dá para dizer se foi por causa das borrascas que enfrentou ou pelo bebê: Lya Carla ficou grávida a bordo, em algum lugar entre o Alasca e o Mar da China. Hoje, o filho mora em Ibiza e é um lobo-do-mar. Como o pai.

Fiel a seu nomadismo, Lya Carla conheceu as Ilhas Tonga e Fidji, Papua-Nova Guiné, a Indonésia, convivendo com as culturas locais e fazendo negócios. Em Bali, por exemplo, retomou um projeto da época em que apareceu no Fantástico: trabalhar com moda. Montou uma confecção artesanal, fez desfiles. A produção era vendida onde houvesse comprador. Em Amsterdã, por exemplo.

Longe do Brasil por sete anos, a “cigana” voltou para Porto Seguro em 1998. Decidiu fazer bijuterias. Juntouse aos índios pataxós, criou colares com sementes e abriu uma loja onde hoje vende peças de cristal fabricadas com matéria-prima que escolhe a dedo em Lavras, na região de mineração de cristal em Minas Gerais.

Fim de verão no hemisfério sul, é hora de Lya Carla zarpar. “Quero retomar minha vida de pirata”, diz. Enquanto há calmaria, a eclética ex-Miss Cacau divulga um torneio internacional de futebol júnior.



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